Misael Nóbrega - 6 de Setembro de 2016 - (783 já leram)

ENSINAM-ME A MAR? Por Misael Nóbrega de Sousa

Assevero que gostaria de acreditar, intimamente, no que é ditado, de forma quase que fantasmática, por esses escrevinhadores de ilusões, em seus livros de auto-ajuda. E o faria, de tal modo, que seria capaz de dar algo em troca: quem sabe, a saudade. O amor e a saudade tem a mesma sagacidade que a vida e a morte. Acabo, ainda, por considerar quem prefira os dois... Um, após o outro, num instante lúdico de sedução e arte. mas, o amor é, também, um solilóquio. O desejo que se revela incongruente, relegando os amantes à condição de objetos, não é amor. O amor é, por vezes, a insurreição, seja da carne ou do espírito. No amor convencional, qualquer descuido vira motivo para a ruptura. O que antes era incondicional agora está no fio da navalha... E vem o fracasso e quase nunca o perdão. No bem querer despetalado: a reminiscência, a particularidade, a religiosidade, a sociedade... E o que sobra é o talo da discórdia. Então, esse amor, transforma-se num esconderijo para os sem-amor. A cruz passa a ser compartilhada por todos, cada um carregando a seu modo. Entendo que o amor pode ser tratado psicologicamente, como uma abstração, que se materializa na pele, no sorriso, no branco do seu vestido, na dor... O que não posso compreender é o amor ser propalado, feito cartilha; e questiono, veementemente, se se ensina a amar? Posto que odiar seria também passivo de se aprender, na mesma lição, pois além de ser mais fácil é menos consternador.

*Misael Nóbrega de Sousa, 46 anos, é jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba, com pós graduação em MARKETING, pela mesma instituição. Atualmente é professor dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, da Faculdade Mauricio de Nassau, Unidade de João Pessoa-PB.

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