Misael Nóbrega - 1 de Novembro de 2016 - (1254 já leram)

O TEATRO ESTÁ DEIXANDO DE SER SONHADO. Por Misael Nóbrega

Patos, uma velha senhora, mas de coração varonil, dá mostras de que ainda vale a pena. Essa destemida cidade, sacode as agruras antepassadas, e ressurge à cada revés, mais fortalecida; talvez, pelo entusiasmo tão peculiar de seus filhos de espírito. 

Uma nota feliz: o teatro está deixando de ser sonhado. 

Acima da antiga Unidade Cultural estaremos mais próximos do céu... – E que venham as estrelas com suas constelações intermináveis. – E que assim, abundantes de luz, possamos ser menos arrogantes.

Uma nota conselho: a soberba não combina com nada. 

Alguns artistas têm a ilusão do apuro absoluto. Esses são os mais tolos. Por toda a vida, ouvirão o que lhes for conveniente, como aplausos disfarçados de fingimento. Morrerão sozinhos. E, pior do que a solidão existe muito pouca coisa. Artistas bastem-se! De que vale o regurgito da empáfia. Um dia, o espetáculo passará; sairá de cena, assim, sem cerimônia, para dar lugar a um outro menos afetado. 

Nunca seremos inteiros, sinto dizer. A mim, Deus confiou uma corda de minutos. E, soprou-me às ventas. Vai meu filho de verdade encontrar teu caminho... – A melhor direção é também a minha punição, mas para isso tenho que confirmar quem sou. 

Ah! Um teatro! Para onde farão convergir todas as boas conversas. E as velhas e novas amizades; e os livros de história; e as histórias inventadas; e as fotografias de antigamente; e as imagens de agora; E os Nelsons Rodrigues... - Por tudo isso, o teatro só poderia nascer assim: suspenso. Poupem-me da discussão de seu nome. Isso é política. 

Se não terá a magnitude de Dodona, santuário oracular de Zeus, na Grécia antiga, onde as azinheiras sussurravam aos mortais, sob o olhar atento das impenetráveis montanhas de Epiro, o teatro de Patos, será erigido sob a égide da devoção. Colossal também não seria um termo apropriado, pois a hora não é de ostentação, mais de exequibilidade. 

Ao ousar ser mais preciso, quem sabe: justiça, perseverança e boa vontade, fossem atributos mais bem declarados. Porém, que se descortinem para o primeiro ato, os panos da discórdia. Em cena: todos os protagonistas dessa peça: Deus maravilhado; espelho da conquista. E que à platéia, assentado de forma emparelhada, esteja o nosso povo: vetor e válvula de escape; motivo e tolerância; inspiração de toda a vida. 

Ad gloriam! Que eu viva para o primeiro cartaz.

* Para o registro da história, esse texto foi publicado no livro A RUA GRANDE DE MEUS PAIS, em oferecimento àqueles que nunca desistiram de sonhar, no inverno do ano de 2008 de nosso Senhor Jesus Cristo; quando todos os açudes estavam sangrando e o milharal já “embonecava”, à espera da colheita de junho. E mesmo hoje, passados 08 anos, a obra do Teatro Ernani Sátiro sequer foi concluída.

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