Misael Nbrega - 9 de Agosto de 2017 - (380 j leram)

GERAO DE PAC MANS. Por Misael Nbrega de Sousa

As redes sociais ganham, cada vez mais, uma dimensão de proporções sem fim, quando da divulgação da cena cotidiana. Nada parece escapar aos flashs e frames desses pauteiros/atores da (in) realidade, que encontram na web a plataforma para divulgar os acontecimentos comezinhos, de si mesmos.

Há que se considerar a evolução tecnológica com sua portabilidade, que associada à essa nova cultura de comunicação de convergência impulsiona o transmídia e incentiva uma legião de repórteres-cidadãos.

Sem filtros, portanto, a espetacularização do Eu/self acontece antes mesmo do café da manhã. Tudo é descartável, pois as novidades se sucedem a atualização da página. A relação velocidade x conteúdo não predispõe uma seleção, visto que o barato é consumir para não perder a vibe. E haja emojis; o prato do almoço, #partiufesta; storys; o “foratemer”; a fotinha na academia; o gif pornô, a corrente religiosa; o “tem blitz?”; e piadas e piadas e piadas... Nada escapa sem a devida providência do registro, quer seja humor ou tragédia.

O foda (Ops!) é que ninguém mais sabe o que é verdade.

Não há razão de apurar o que houve já que a motivação é mesmo viralizar. Quanto mais acessos mais populares ficam os propagadores do absurdo-Pinóquio. E quase tudo é fake. Lembram o slogan: Aconteceu virou manchete? Hoje é: Posta na timeline, vai que cola.
Outro discurso ambientado na internet é o do falso moralismo quando se compartilha nudes ou fotos escatológicas. Sem noção curtir imagens de pessoas mortas. O mundo é agora um big brother, sob o pretexto de conectar pessoas... De repente, uma mulher gostosa; e, em seguida, a mensagem: - Foi mal, grupo errado. (O WhatsApp não nos dá uma segunda chance).
Pertencemos agora a todas as tribos.

Estamos brincando de inverter valores. Escondendo-nos por trás de aplicativos. O que buscamos incessantemente nunca teremos, pois a roda somos nós. Essa exposição exacerbada está fazendo surgir uma geração de seres androides, feito Pac mans que consomem e vomitam a mesma mensagem, sem o mínimo pudor... Alias, pudor?

Publicidade