Zenilda Lua - 18 de Julho de 2016 - (535 já leram)

Do Leblon ao Vale. Por Zenilda Lua

Meu coração parou de bater no décimo sexto dia deste mês. Antes do cantar do galo.
Atordoei-me, debaixo de um céu azul e luarentíssimo.

Belíssimas tristezas me retornaram. Eu ainda tinha tanta coisa concreta para padecer, para me alegrar, para  inaugurar e comemorar. Tanto pedido de desculpas para fazer, tanto abraço para apertar e, ele lá caladão e desvanecido.

Utilizei o estetoscópio imaginário, joguei o tórax para frente o máximo que consegui. 
Deitei no chão, fiz uma posição de yoga para iniciantes, apertei o peito com o polegar direito até a pele ficar marcada e nada. 

Comi três castanhas. Troquei as meias surradas por um par limpíssimo. Subi e desci as escadas quatro vezes. Nenhuma batida ou consideração.

Meu coração virou uma cela. Uma célula silenciosa e amuada.

Recitei as palavras de Cristo: “Não tenhais medo pequenino rebanho, o PAI vos ama” e, tentei dormir, mas pensava na Brisa e no culto das dez. No suco natural que prometi fazer para o almoço na casa dos amigos Oswaldo Jr. e Thaís e no sarau do SESC.

Realizava nova escuta e nada. Voltava o pensamento para a tanatopraxia  e todo   processo de cremação. Quase ouvia meu líder espiritual lendo João 14 na sua Bíblia on line e os amigos postando no  face minha passagem. Marcando-me nas fotos, nos encontros em casa.

Só fui conseguir adormecer quando o sabiá do sertão começou sua sinfonia amanhecida  e, nessa altura das promessas  já estava quase na hora de fazer o suco para levar no almoço coletivo.
 
Caprichei com a  naturalidade dos sumos, piquei o gengibre, descasquei as maçãs, colhi o manjericão e lavei as folhas, bem lavadinhas. - Os mosquitos sempre dão de cochilar nelas. - 
No meio da tarde entre amigos e delícias, goles de água, poetas e cantiga conhecida;

“Pássaros perdidos na neblina e o 
medo de se apaixonar” ...

Senti um repuxo no peito, uma quentura macia, uma lágrima escorrendo viva. 

Meu coração bateu outra vez e eu senti saudades como se tivesse cem anos. 

O Oswaldo propôs um vinho e de pronto aceitei sorrindo.

Oh, fonte que lava minha alma!

Oh, taça que verte alegria e, faz a humanidade encontrar a paz mesmo que por algumas horas numa tarde livre de domingo  lírico.

Deus seja louvado!

Zenilda Lua

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