Zenilda Lua - 16 de Agosto de 2016 - (700 já leram)

Feliz agosto, feliz todo tempo de Deus! Por Zenilda Lua

A Presença Inconstante do Pai na vida dele enternurou a  conduta de sua permanência e delícias.
Ele não se extraviou das formas suaves do afeto para com a filha.
Estava sempre perto. Estendendo a toalha para o café, esquentando a sopa, checando o medicamento, a quantidade do vale transporte, deixando-a dormir “só mais um pouquinho”.
Abraçando-a sem abreviar o choro quando a emoção se avivava.
E ela, de prontidão o esperava chegar do trabalho todas as noites.
"Pai vem ver meu vestido, a música que tirei, a foto que achei. Vem ver meu fichário, Pai!”

Ele ia. Mesmo cansado do labor diário, sempre tinha  uma escuta, uma piada, um comentário de humor, um minutinho a mais.
Ela guardava  pra ele todas  os acordes, os segredos de menina, os acontecidos de viagem, os caprichos e o dom de amar de forma ampla e compensativa.
Para ela a palavra dele valia   mais que um devocional  apostólico.
Nada trincava  quando ele estava  por perto. Era  a valia preciosa, o senso cuidadativo, a certeza que endossava a risada mais sonora. A bondade que alimentava as borboletas.
Quando pequenina, escondida, escrevia o nome dela nos bilhetes de amor que eu fazia à ele. Descobríamos o delito afetivo  e sorríamos os três.

Hoje ela não pergunta mais por que a noite às vezes fica violeta, nem o motivo de    Deus  ter escolhido levá-lo  tão cedo.

 Procura no álbum de fotografias antigas, uma foto dos dois, abre um livro de poemas,  escolhe um  bem bonito  que a gente preferia e posta no Face.

Passa o domingo silenciosa.  Desiste de ir à igreja comigo, alega que as homenagens  sempre trazem  muitas lembranças e pouca alegria.

Vai para casa de pessoas queridas onde tem aniversário e cantoria. As 21h vou buscá-la. Percebo sua voz emotiva, questiono o acontecido, e  ela responde com olhos marejados:

“Mãe, homenagearam o avô do Gabriel com a música do Fábio Jr., e eu chorei litros”!

Fiz silêncio. Exige-se longo tempo e paciência para entender uma ausência. Cada dia descubro que pra ela há, há sim outra palavra mais doce que o mel...

PAI
“pode crer
eu tô bem, eu vou indo
tô tentando vivendo e pedindo
com loucura pra você renascer...

Paaaaaaai!”

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