Zenilda Lua - 23 de Janeiro de 2017 - (3891 já leram)

Oxe, mainha! Pronto...

Quando Dezembro chegou trazendo o barulho do alvorecer nas calhas, espantei os pardais, (que pensam serem os donos de nossa área de serviço). Separei as saias coloridas, as blusinhas mais finas e depois do Natal ganhamos as nuvens.

No meio do ano aceitei o desafio de não permitir que a morte prevalecesse sobre minhas esperanças e junto com a Brisa, dei providência na compra das passagens.

Há três anos não voltava pra casa.

E voltar pra casa é como encontrar a ponte que nos leva ao paraíso, as cores das doçuras finas e os favos de mel.

Foram vinte dias de edificação amorosa. De descobertas e vantagens. Passeios e encontros dignos de aplausos. Chororô, aprendizado, matança de saudades.

Coisas simples advindas de uma gente sublime e cheia de coragem.

Fiz careta para o sol em tempo integral e por várias vezes peguei a estradinha poeirenta da infância. Sofri de novo pela morte de nosso único rio (Espinharas) e pela secura de todos os nossos reservatórios de água.

Abracei a mãe, as tias, os primos, os irmãos. Fiquei com os sobrinhos como nunca antes havia ficado. Revi os amigos e amigas. Fizemos partilhas e promessas de bem querer sagrado. Alguns queridos  não consegui  alcançar, mas o amor nos identifica e isso já é essencial.

 Aumentei dois quilos e setecentos gramas por conta da comilança.

Deus seja louvado!

Uma vitória dessas já vai dar poema e milagre.

Administrado o período de minha permanência, antes da luz descerrar todos os nevoeiros da montanha voltei para os Campos de São José.

Que 2017 chegue até o finalzinho dos dias sem filtros para o amor. Sem cotas para a saúde sem limites para a extensão da paz.
Que a arte e a justiça social luareje em cada lugarejo.
Que desabroche novas safras de exigências, de lampejos sonoros, de comprometimento e anseios. Que os sensos se elevem para além do comum.
Que mensagens de sonhos descidas pacificamente das estrelas expliquem todas as coisas obscuras, escutadas pelos séculos.
Porque em cada quintal brinca uma infância e as formigas ainda sobem enfileiradas pelas pedras.
Feliz de quem tem uma família, de quem tem  amor e alguns amigos para espatifar as agruras dos becos. 
Feliz de quem sabe qual é o Caminho, a Verdade e a Vida!
Um cheiro animado de florada doce. (23-01-2017)

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