Zenilda Lua - 7 de Março de 2017 - (1635 já leram)

De alegria, plena!

Quando o primeiro trovão sonorizou a cabeceira da serra, meu irmão tratou logo de pegar o celular e registrar tudo.

Parecia um arauto do Eterno alcançando a alegria da chegada do inverno sertanejo.

Um jardim barrento de água foi esparramando-se por baixo das pontes, enchendo córregos, perfumando as folhas que voavam em bando. Os galhos davam pinotes e as árvores dançavam ao som luminoso dos relâmpagos.

As chuvas de fevereiro botaram cheiro na cor de todos os dias do mês. Eu recebia os vídeos, escutava os áudios, curtia as fotos e compartilhava a doçura daquele néctar tão sagrado.

No sitio da infância rapidamente cresceu o capim e as ramas de cipó. O desidratado e tímido jardinzinho de minha mãe rebrotou. Ganhou frescor e altura. Os pés de manjericão passaram a ter cheiro de rosas, de tão lindo!

Minha irmã contou que até um filhote de jabuti deu de aparecer por lá querendo pouso. Meu irmão negou e foi leva-lo até a beira do poço. Também surgiram família de besouros, grilos, sapos, jias, peixes, caracol e toda qualidade de inseto cantador.

Roseirinhas bravas, cheias de sereno, andam suspirando de amor pelos cachos. Desabrocham pétalas pequeninas, cochicha a jitiranacom a beldroega. Porções de florezinhas crepitantes e ervinhas peludas tornam-se cada vez mais unidas e juntas vestem nosso sertão com a boniteza mais sublime.

Adeus contenção hídrica!

Adeus carro-pipa com ferrugem descendo as estradas empoeiradas!

Agora o amor mora ali. A abundância se esbalda. Ali a felicidade se achega como num céu particular, incrível e bem cuidado.

O luxo das águas nos foi concedido.

A promessa é a mesma:

"Te guiarei continuamente. 
Serás como um jardim regado por manancial, cujas águas nunca faltam".

Deus seja louvado!

Foto: Pr. John Philip Medcraft.

 

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