Luanja Dantas - 27 de Abril de 2017 - (770 já leram)

Dois modos; Por Zenilda Lua

Se o acontecido desacontecesse eu fitaria o desenho miraculoso dos seus lábios, tomaria suas mãos de novo e caminharia insone desabrochada por entre safras de beijos e quimeras.

Evocaria o infinito e matricularia meu espírito num corpo de baile ao som do sublime mais fecundo. Encomendaria todas as flores de maio e de quebra soltaria pandorgas banhada de sol.

Se o acontecido desacontecesse  eu não pediria mais exílio, não evitaria as quermesses nem as modas de viola.

Ignoraria as mazelas do cotidiano e ficaria de prontidão só para a beleza do mundo.

Meu coração trêmulo certamente bateria tão disparado que marcaria de roxo toda a parede do peito.

Mas o acontecido não irá desacontecer. O tempo transcorrido fechou todas as possibilidades.

O silêncio é alto e comunicante. Por ele luarejo permitida e sobrevivo intacta.

Uma coragem feliz me toma em sentidos.

Algumas tardes eu recebo  poemas. Nessas horas ganho semblante de quem tem muitas posses.

Hoje foi assim.  Recebi uma poesia e um soneto. Os versos também têm propriedades curativas. Chorando de manso vou e me consolo. Levanto vôo rua acima.

 “Ele me cobre com suas penas e debaixo de suas asas encontro refúgio”.  (Zenilda Lua-outono/2017)

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