Genival Júnior - 16 de Janeiro de 2017 - (1891 já leram)

Grande, Grande, Grande, x Pequeno, Pequeno, Pequeno. O que está acontecendo com o nosso futebol?

O torcedor brasileiro foi criado numa cultura futebolística onde dizíamos que “time grande é grande; e time pequeno é pequeno”. Verdade? Sim e não. Pois, dos quase mil clubes de futebol existentes no Brasil, 157 já estiveram na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro, mas apenas 12, compõem a elite do nosso futebol.
Se de trinta anos para trás, confronto entre grandes e pequenos representava sinônimo de goleada, hoje, (2017), já não é certeza de vitória, pois a política de trabalho dos clubes e a qualidade técnica de nossas equipes, já não é mais a mesma. Prova disso, é o sufoco que passou o Vasco para ficar entre os quatro da Série B, que subiram para a Série A, ou mesmo a derrota do Flamengo na Copa do Brasil do ano passado para o Fortaleza em pleno Maracanã, que fez o Brasil ver o Cristo Redentor ficar pintado com as cores do time cearense.
A crise entre os grandes do nosso futebol, pode ser percebida em um levantamento do Instituto Patoense de Pesquisa e Estatística-INPPE, que constata que desde 1991, ano em que o Grêmio abriu a série de rebaixamento dos chamados “grandes”, do futebol brasileiro, foram 16 rebaixamentos em 26 anos de competição, o que representa menos de uma queda a cada dois anos. Entre os clubes da elite, apenas Flamengo, Santos, São Paulo e Cruzeiro, nunca saborearam o gostinho amargo do descenso.
Em contrapartida, tivemos a queda do Fluminense 4 vezes, (1996-1997-1998 e 2013), uma delas inclusive, (1998), da Série B para a C, sendo puxado pelo anzol, por conta das viradas de mesa da CBF. Tivemos ainda outras 3 do Vasco, (2008, 2013 e 2015), duas do Botafogo, (2002 e 2014), duas do Palmeiras, (2002 e 2012), duas do Grêmio, (1991 e 2004), uma do Atlético-MG, (2005), uma do Corinthians (2007), e por último o Internacional-RS, em 2016.
A pouca ou nenhuma revelação de craques, o pouco tempo dos nossos talentos nos clubes que os revelam, o capitalismo selvagem do futebol e a cartolagem ou a falta de planejamento administrativo dos dirigentes, aliada a corrupção do futebol, semelhante ao que ocorre na política brasileira, são determinantes para a diminuição dessa diferença.
Na Copa São Paulo de 2017, tivemos até a data de hoje, (13/01), resultados que demonstram isso: Grêmio-RS 0x1 Mirassol-SP; Palmeiras 0x1 Sport-PE; São Carlos-SP 1x0 Vasco-RJ; Avaí-SC 1x0 Santos-SP e Juventus-SP 2 x1 Fluminense-RJ, são alguns exemplos disso.
Certo mesmo, é que muita coisa no futebol brasileiro precisa ser reformulada, pois a começar da nossa Seleção, que deixaremos para um próximo capítulo, estamos vendo uma realidade onde todos estão nivelados por baixo, com as nossas equipes inferiorizadas em relação aos clubes europeus e temendo até fazer um jogo de grande nível e sequer pegar na bola. Por isso, digo sem nenhum medo de errar, que no atual futebol brasileiro, grande já não é mais tão grande e pequeno, já não é mais tão pequeno.
 

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