Luanja Dantas - 2 de Agosto de 2014 - (2116 já leram)

Média de votos dos candidatos deve ficar mais de 30% menor para deputado federal e mais de 50% para deputado estadual, afirma o INPPE

A média de votos dos candidatos na disputa proporcional para as eleições de outubro próximo na Paraíba, sofreu um grande complicador devido ao crescimento do número de candidaturas aos cargos de deputado federal e deputado estadual, quando comparada ao cenário das eleições de 2010. É o que afirma o Instituto Patoense de Pesquisa e Estatística-INPPE.

Um dos pontos de partida e determinante para a nova realidade do Estado, é o pequeno crescimento do eleitorado nos últimos quatro anos, graças ao cadastramento biométrico e a baixa procura de jovens nas faixas etárias de 16 e 17 anos para o cadastramento eleitoral encerrado em 7 de maio.

Para se ter uma ideia, em 2010 o eleitorado apto a votar era 2 milhões 738 mil 313 votantes, e cresceu em 2014 para 2 milhões 835 mil 882 inscritos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, o que significa um aumento de apenas 97.569 eleitores ou 3,56%.

Em 2010, o número de votos válidos para deputado federal foi 1 milhão 952 mil 737, ou 71,29% do eleitorado daquele ano. Os votos nominais foram 1 milhão 763 mil 869, enquanto outros 188 mil 868 foram votos de legenda. Na prática, isso significa dizer que quase 30% dos eleitores não votaram em nenhum dos 77 postulantes a uma vaga na Câmara Federal.

Já na disputa por vaga na Assembleia Legislativa, o número de votos válidos foi 2 milhões 1 mil 603 eleitores ou 73,09% do total do estado. Os votos nominais foram 1 milhão 801 mil 680, enquanto outros 199 mil 923 foram votos de legenda. Ou seja, quase 27% do eleitorado paraibano não escolheu nenhum dos 253 candidatos.

De acordo com dados do TRE-PB, o candidato mais votado para deputado federal em 2010, alcançou a marca de 113 mil167 votos, que projetado ao crescimento de 3,56%, subiria em 2014 para 117 mil 196 votos, se fossem os mesmos 77 candidatos.

No entanto, o número de postulantes a deputado federal cresceu 38,96% este ano, o que projeta uma queda de 45 mil 660 votos dos 117 mil, sobrando apenas 71 mil 536 votos. Isso por que a média individual dos votos nominais dividido por 107 candidaturas em 2014, representa 17 mil e 68 votos por candidato.

Ainda de acordo com o INPPE, o candidato mais votado em 2010 para deputado estadual, conseguiu somar 57 mil 592 votos, que somado aos 3,56% do crescimento de eleitores, chegaria a 2014 com 59 mil 642 sufrágios, se fossem 253 candidaturas. 

Para este ano, o número de pedidos de registro de candidatura a deputado estadual, cresceu de 253 para 403, um aumento de 59,28% nas candidaturas. Dessa forma, a votação do primeiro lugar de 2010, cairia 35 mil 355 votos em 2014, sobrando apenas 24.287 sufrágios. Com isso, a média individual dos votos nominais, considerando as 403 candidaturas, será em 2014 de 4.629 votos.

Para o jornalista Genival júnior, diretor do INPPE, a média de votos esse ano torna a disputa mais parelha e permite que poucos candidatos alcancem votações expressivas. “A maioria dos candidatos que concorreram em 2010 deve ter votações menores em 2014. Quem surpreender, certamente estará tirando votos de concorrentes que disputam espaço em suas áreas de maior densidade eleitoral”, opinou.

Genival afirmou que as abstenções, brancos e nulos esse ano podem ultrapassar 30% do eleitorado ou mesmo repetir os 29 e 27% registrados em 2010, devido a insatisfação popular com a classe política. “O povo ainda está desmotivado para as eleições, e isso pode repercutir negativamente”, finalizou. 

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