Genival Júnior - 16 de Outubro de 2015 - (1594 já leram)

Quem não vai fazer biometria

A biometria está aí e com ela, surgem as perguntas mais comuns quanto ao resultado prático do trabalho realizado pela Justiça Eleitoral. Algumas delas, todos nós já estamos acostumados a ouvir: Quantos eleitores vão se recadastrar?; O eleitorado vai aumentar ou diminuir?; ou até mesmo, como fazer para me cadastrar na biometria?.

Para cada pergunta evidentemente tem uma resposta e a lógica se aplica a cada uma delas, mas, para saber quantos vão se recadastrar ou se aumenta ou diminui o eleitorado, precisamos levar em consideração alguns fatores comuns que interferem de modo prático ao que vamos assistir ano que vem nos 98 municípios da Paraíba que estão realizando a biometria.

Ao meu modo de ver, o recadastramento biométrico vai reduzir o eleitorado final de Patos e demais municípios por alguns fatores que podem ser chamados até de naturais.

Entre eles estão a revolta de uma parcela do eleitorado com a classe política; a perda do prazo por parte dos retardatários; a distância de alguns eleitores residentes em outros municípios que não virão as suas cidades de origem; o desinteresse dos idosos e a falta de informação de uma parcela do eleitorado que por incrível que pareça, ainda vai procurar o serviço após o prazo terminado no mês de maio.

Nos 23 municípios da Paraíba que realizaram a biometria, incluindo João Pessoa e Campina Grande, em nenhum deles o número de eleitores cresceu, e por isso acreditamos que a experiência não deve ser diferente na cidade de Patos.

Em João Pessoa, por exemplo, o eleitorado que era de 480.237 em 2012, caiu em 2014 para 463.887 votantes, 16.350 eleitores a menos em números absolutos. Já Campina Grande, saiu de 280.207 eleitores em 2012, para 263.382 em 2014, uma redução em números absolutos de 16.825 votantes.

A diminuição do eleitorado interfere diretamente na estatística das abstenções quando realizado o pleito, uma vez que grande parte dos eleitores faltosos ao cadastramento biométrico, não votariam na eleição, mas apenas constavam no cadastro.

Um exemplo disso, nós vemos em João Pessoa, que reduziu a sua abstenção de 82.809 faltosos, ou (17,24%) dos eleitores em 2012, para 38.237 ou (8,24%), em 2014, já depois da biometria. Em Campina Grande, a redução veio de 43.765 eleitores, ou 15,62% dos votos em 2012, para 18.100 ou 6,87% em 2014.

Por isso, a tendência para o próximo ano, é que possamos ter um eleitorado final em Patos que não chegue a casa dos 60 mil, e uma eleição disputada sobretudo na proporcional com mais candidatos e menos votos na praça. Assim, quem avisa amigo é: Preparem-se, por que a hora da Onça beber água, vai chegar.....

Genival Júnior

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