Genival Júnior - 15 de Maio de 2014 - (1965 já leram)

Eu acredito em pesquisa. E você?; Por Genival Júnior

Ao contrário do que muita gente pensa, pesquisa não é adivinhação, ou muito menos a arte da picaretagem, a não ser para aqueles que querem ganhar o troféu dos mentirosos. Para estes, basta um trabalho mal executado, que chega a fama de um pseudo profissional que trabalha para agradar o patrão e prejudicar sua própria credibilidade.

Nenhuma pesquisa séria deixa de levar em consideração critérios científicos, a exemplo do conhecimento técnico da divisão do universo pesquisado por sexo, faixa etária, classe social e da área geográfica a ser trabalhada, pois ao contrário do que alguns ignorantes no assunto pensam, pesquisa de opinião pública quando requer o trabalho de campo não pode ser feita sem sair de casa.

Infelizmente, muitos políticos ao contratarem as empresas de opinião pública, ainda alimentam a cultura de não gostar da realidade, tentando enganar a si mesmo para não acreditar em uma avaliação bem trabalhada e que quando considerada, retrata perspectivas de mudança em seu projeto, visando alcançar resultados positivos ao final.

Diferente do conceito errônio que se pratica por aí, uma pesquisa não só respeita a margem de erro, mas também o entendimento de que o resultado representa a realidade daquele momento, não incluindo o efeito de fatos posteriores ao trabalho, que só poderão ser sentidos quando nos resultados de uma avaliação futura.

Um exemplo claro, são as pesquisas para presidente da República após o período da redemocratização. Tivemos eleições em 1989, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, e em nenhuma ocasião, os institutos erraram em suas previsões no concernente ao resultado apontado nas urnas, tanto em nível de primeiro, quanto em nível de segundo turno.

No entanto, tivemos erros grotescos de avaliação técnica, como nas eleições 2010 na Paraíba, em que uma pesquisa divulgada em 17/09 apontava vitória de José Maranhão com 17 pontos de maioria, vantagem que representava mais de 468 mil votos e acabou perdendo no primeiro turno com mais oito mil e mais de 148 mil no segundo turno.

Cabe uma reflexão: Como uma vantagem tão grande evaporou faltando menos de 20 dias para as eleições?

Em resposta afirmo que a vantagem não desapareceu, ela simplesmente não existia e a pesquisa estava tecnicamente errada.

Como cidadão esclarecido que sou, não aceito outro cidadão também esclarecido dizer que não acredita em pesquisa, mas aceito dizer que não devemos acreditar em empresas que trabalham para mascarar a realidade, por conta de interesses de grupos dominantes ou de quem quer que seja.

A verdade acima de tudo, em respeito a inteligência e o esclarecimento da população brasileira, paraibana e patoense, que cobram com todo o direito, mais compromisso social dos que fazem a opinião pública.

Genival Júnior-Jornalista e diretor do Instituto Patoense de Pesquisa e Estatística-INPPE.

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