- 30 de Setembro de 2014 - (1845 já leram)

Qual é a verdadeira pesquisa?; por Genival Júnior

Estamos acostumados a ouvir que a verdadeira pesquisa á o resultado das urnas. Quem duvida? Acho que ninguém, e muito menos eu. Mas, precisamos estabelecer algumas verdades sobre o assunto para diferenciar uma pesquisa séria de outras tantas fraudadas que costumamos tomar conhecimento nos períodos eleitorais.

É bom lembrar, e isso eu falo por experiência própria em dezenas de trabalhos realizados, que o eleitor não costuma mentir ao pesquisador quando perguntado em quem vota. Daí, o pressuposto da confiabilidade do processo de avaliação técnica, observando-se apenas a margem de erro possível ao trabalho executado.

Vale salientar também, que uma pesquisa de cunho científico, começa a partir da definição das características sociais, políticas e geográficas da área a ser trabalhada, pois não podemos desprezar informações importantes nesse quesito.

Como exemplo claro disso, podemos citar o perfil social dos municípios de Patos e Campina Grande, que tem em sua distribuição pouco mais de 4% da população e do eleitorado, concentradas na zona rural, o que significa dizer que são municípios proporcionalmente semelhantes nesse ponto.

Outras dezenas de municípios de pequeno porte da Paraíba e do Nordeste possuem uma distribuição diferenciada nesse particular, quando em alguns deles a maior parte concentra-se até mesmo em comunidades rurais. Isso significa dizer, que é impossível realizar uma pesquisa tecnicamente correta sem considerar esses fatores, que se tornam determinantes no resultado final.

Outro aspecto importante é levar em consideração a distribuição proporcional por sexo e faixa etária, que varia tecnicamente de local pra local e carregam informações importantes levando em conta a experiência, preferência e visão política de cada cidadão e cidadã.

Fazer pesquisa, não é e nunca será a arte de sair ouvindo de modo aleatório, pessoas ou grupos de pessoas nas ruas e bairros dos municípios, nem de tentar adivinhar resultados que serão traduzidos em votos nas eleições, mas é a arte de interpretar a vontade popular manifestada através das opiniões.

Interpretar uma pesquisa é e sempre será, saber entender o momento político dos candidatos, a origem das opiniões favoráveis e contrárias aos postulantes da vida pública, sem nenhum tipo de paixão pessoal ou partidária, e, sobretudo, saber avaliar a tendência do momento considerando o antes e projetando o depois.

Por isso, continuo a dizer que a verdadeira pesquisa é e sempre será a das urnas, mas que nenhuma pesquisa realizada de modo sério, tentará fraudar à legítima e confiável vontade do povo, que se respeitada será retratada através dos institutos de opinião pública.

Não admito sim, que institutos de pesquisa sem qualquer confiabilidade científica e movidos pela ganância de faturar recursos oriundos da corrupção política eleitoreira, tentem influenciar na vontade soberana do povo, manifestada através da democracia.

São essas instituições, se é que assim podem ser chamadas, manipulam os resultados e que tentam manchar o seríssimo trabalho dos que suam a camisa por meio do compromisso em estabelecer a vontade popular estabelecida por meio da verdade e da liberdade de opinião. Por isso, respeitem a democracia e a soberana vontade do povo.

Genival Júnior-Diretor do Instituto patoense de Pesquisa e Estatística-INPPE

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