Rodrigo Cézar - 21 de Outubro de 2016 - (32647 já leram)

Condições oceânicas evoluem favoravelmente para as chuvas no Sertão em 2017

O fenômeno climático e oceânico “El Niño” dissipou em Maio deste ano, em seguida na região central do Oceano Pacífico foram observadas águas mais frias que o normal, no entanto, a La Niña não se configurou.
De acordo com o físico, meteorologista e mestre em Meteorologia Rodrigo Cézar Limeira, para que um episódio do fenômeno climático e oceânico La Niña se configure, é necessário que a região central do Pacífico Equatorial fique por 04 meses seguidos com temperatura de no mínimo 0,5ºC abaixo da média. De acordo com o estudioso essa condição persistiu nos meses de Junho, Julho e Agosto, no entanto, no mês de Setembro, a citada região registrou temperaturas entre 0,1ºC e 0,3ºC abaixo da média, fato que impediu a configuração final do La Niña em Outubro de 2016.

Como se encontra atualmente a região central do Pacífico?

Apesar de La Niña não ter se configurado, a região central do Pacífico continua mais fria que o normal, no entanto esse resfriamento é insuficiente para formar o mencionado fenômeno, conforme informado anteriormente.

Condições térmicas do Pacífico indicam instabilidade

De acordo com as atualizações recentes do campo de anomalias de TSM da NOAA (Agência Norte-Americana que monitora o clima e os oceanos), as condições térmicas bem no centro do Pacífico, também chamada região do Niño 3,4, e da região da costa do Peru, chamada região do Niño 1,2, estão muito instáveis. Em intervalos de 07 dias são observadas variações de temperaturas de até 2ºC nessas áreas, e foi essa instabilidade que impediu a configuração final do La Niña.

Qual a importância da região central do Pacífico para as chuvas do Nordeste? 

Quando a região central do Pacífico Equatorial está fria, ou seja, quando há uma La Niña configurada, os ventos em altitude são predominantemente ascendentes, ou seja, há grande movimento de parcelas de ar da superfície em direção a níveis mais elevados da atmosfera, fato que favorece a convecção, e consequentemente à formação de nuvens de chuva sobre a região.

Quando a região central do Pacífico Equatorial está quente ocorre o contrário, ou seja, quando há um El Niño configurado, os ventos em altitude são predominantemente descendentes, e há grande movimento de parcelas de ar de níveis mais elevados da atmosfera em direção à superfície, fato que inibe a convecção, e consequentemente desfavorece a formação de nuvens de chuva sobre a região.
Já a região do Niño 1,2, que corresponde a costa do Peru, funciona muitas vezes como um indicador de ocorrência dos dois fenômenos. Dessa forma, quando as águas do Pacífico na costa do Peru estão bem frias, elas migram através da circulação oceânica até a região central do Pacífico, dando origem ao fenômeno La Niña. Já quando essa região encontra-se mais quente que o normal, na maioria das vezes, origina-se El Niño.

Dessa forma, e de acordo com a Climatologia, quando há uma La Niña configurada no Pacífico Central, em 80% dos casos, as chuvas variam de normais a acima da média no Nordeste, mas também é importante mencionar a importância do Oceano Atlântico Sul na altura da costa do Nordeste, como elemento fornecedor de umidade para as chuvas da região.

Qual a configuração oceânica mais favorável para chuvas no semiárido durante a quadra chuvosa de Fevereiro a Maio?

Para que ocorram chuvas acima da média no semiárido nordestino, algumas condições oceânicas e climáticas devem ser observadas:

1)    “Oceano Atlântico Sul na altura da costa do Nordeste” deve se encontrar bem quente, e mais quente que o Atlântico Norte;
2)    Oceano Pacífico Central deve se apresentar com La Niña, e quanto mais intensa a La Niña, maior a chance de chover acima da média;
3)    A Alta do Atlântico Norte não deve bloquear a atuação da Zona de Convergência Intertropical sobre o semiárido;
4)    O sinal da Oscilação 30 – 60 dias deve permanecer positivo para chuvas durante grande parte do período chuvoso do semiárido.


Cenário atual é de normalidade de chuvas no final deste ano e em 2017:  

A região central do Pacífico encontra-se mais fria que o normal, mas persistem condições de normalidade climática, fato que é temporário e pode mudar com a aproximação da quadra chuvosa de 2017.

No Oceano Atlântico Sul as condições térmicas evoluem de forma positiva, e indicam possibilidade de um período chuvoso que favoreça enchimento de barreiros e açudes de médio porte no semiárido paraibano. Para a agricultura e os grandes açudes que abastecem as cidades, o cenário ainda está indefinido.  

Previsões do estudioso já informadas na imprensa paraibana estão se confirmando, com chuvada no final do ano no semiárido do estado, dentro do trimestre Outubro, Novembro e Dezembro, mesmo sem a configuração da La Niña 

Rodrigo Cézar Limeira é:

* Formado em Física pela Faculdade Chaffic – São Paulo/SP – 2012, e Físico do NEPEN (Núcleo de Estudos e Pesquisas do Nordeste) de Julho de 2012 a Março de 2015, coordenando o Espaço Energia(Museu da Eletricidade da Energisa) em Sousa/PB, e desde Dezembro de 2015 é consultor meteorológico da empresa Federal Energia de São Paulo-SP;
 
(Editor do Portal de Jornalismo Científico‘‘Ciência em Foco‘‘) www.cienciaemfoco.com ;
 
Palestrante e estudioso da Radioatividade na Telefonia Móvel, Eficiência Energética, Física dos Raios, Física do Aquecimento Global e Lei da Atração da Física Quântica;
 
*Formado em Meteorologia (Física de Fluidos Aplicada à Troposfera Terrestre) pela UFCG – Campina Grande/PB – 2006;
 
*Mestre em Meteorologia (Física de Fluidos Aplicada à Troposfera Terrestre) pela UFCG – Campina Grande/PB – 2008.
 
* Escritor (poeta) colunista dos Portais: Maispatos.com (www.maispatos.com), Patos Metrópole (www.patosmetropole.com.br) e Diário do Sertão (www.diariodosertao.com.br) e teve quase 200 artigos jornalísticos publicados no site de notícias Patosonline.com. É membro da AISP (Associação de Imprensa do Sertão Paraibano), e presta assessoria em “Física Aplicada ao Cotidiano” para as rádios de Patos desde 2009, Sousa desde 2012 e Imaculada desde 2016, com 72 entrevistas já concebidas, abordando temas da Física em que é especialista como Meteorologia, Física dos Raios, Física do Aquecimento Global, Eficiência Energética, Radiatividade na Telefonia Móvel e Lei da Atração da Física Quântica. É titular da Cadeira 483 da AVBL – Academia Virtual Brasileira de Letras, Titular da Cadeira 90 do Clube dos Escritores Piracicaba, Titular da Cadeira 22 da Academia Patoense de Letras, tem poesias publicadas em 54 antologias literárias e premiadas em 64 concursos literários, além de integrar inúmeros sites de entidades literárias. É também autor de 33 artigos científicos, tendo sido pesquisador bolsista do Cnpq durante 05 anos. Também lecionou Física durante 05 anos e meio, e Matemática durante 01 ano e meio na rede estadual de ensino do estado da Paraíba.
 

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