Ricardo Souza - 21 de Setembro de 2012 - (8926 já leram)

Festa da Guia; Reencontro, saudosismo, turismo e fé

Por: Damião Lucena/Patos em Revista , edição 2011.

Muitas realizações de caráter religioso e cristão marcaram até os dias atuais a história de Nossa Senhora da Guia, a Padroeira de Patos. O início da comemoração anual, em sua homenagem, com relação à celebração do novenário, está assinalado pouco depois da origem da primeira ermida. Já no aspecto social que instituiria a diversão, as fortes referências surgem a partir do século XX.

De acordo com a historiadora Marlene César Bezerra, até 1913 não existem em mãos documentos que façam abordagem sobre o funcionamento de pavilhões. A partir de 1914, quando foi fundado o Jornal “O Festival”, dirigido por J. Florentino e Genésio Gambarra, trazendo como sub-título “A voz do Sertão” é que passamos a ter uma referência concreta. Neste ano a programação foi realizada no mês de dezembro, com encerramento no dia 30. Em depoimento, do Major Sebastião Fernandes, registramos que somente após tal edição é que tivemos a realização da primeira programação alusiva à Santa com passeio. Até os primeiros anos do século passado, acontecia apenas a celebração às 18:00 horas e em seguida os fiéis se deslocavam até a frente da igreja, onde assistiam a uma queima de fogos, depois, por falta de energia elétrica, o povo se dirigia às suas casas para dormir. A Voz do Sertão número 25, de 08 de novembro de 1914, trouxe toda a programação dos novenários e seus noitários. Os grandes homenageados eram almocreves, agricultores, donos de vapores, engenhos, bolandeiras, fazendeiros e criadores, numa predominância da agricultura, como ponto primordial da economia. Já em 1916 o Jornal “O Sertão” noticia o insucesso da festa do ano anterior, atribuindo-se o fato à Primeira Guerra Mundial. No referido período a parte religiosa acontecia apenas durante cinco noites. O mesmo noticioso enfoca a festa realizada em 1917, no período de 5 a 15 de agosto, atribuindo a mesma um brilhantismo surpreendente. Em 1926, a programação já era realizada no mês de setembro e era organizada por quatro comissões: Central, Jovens, Ornamentação e uma destinada à arrecadação de fundos. De 1929 a 1933, a concorrência da comunicação atinge o evento, com o surgimento de vários jornais, entre os quais a FUZARCA. Em 1937, foi criado “O Xuxu”, que em sua primeira edição trouxe o seguinte assuntando: “Eu sou o xuxu que tu, leitor amigo, vai saborear nas noitadas da festa que hoje se inicia. Amargo, às vezes, me proponho não ser venenoso aqueles que, de qualquer modo estão passíveis de ataques, pelo excesso de leviandades e piratarias. Não pouparei os marmanjos, para estes, sim, porei a descoberta de todo o meu poder de destruição, que afinal não passará de uma simples brincadeira, sem maiores conseqüências. Não desprezarei o belo sexo, motivo, quase sempre de desarmonia, embora seja ao mesmo tempo o ornamento precioso para os dias gozados que iremos viver. Porém, leitor amigo, não te assustes; não penses que alimento a vaidade ou cousa que valha, de tecer picuinhas, pelo simples desejo de alimentar intrigas.

Pretendemos divertir com as minhas humanas piadas, que é precisamente a de fazer rir sem magoar. Não digo que poupo, em demasia, os chantagiosos que se julgam impunes de censuras. Não, piedade não é meu lema. Hei de fazer a festa como ela merece ser feita; em meio as mais sadias alegrias, mas com um pouco de pimenta para aumentar o sabor deste xuxu, que é seu, da festa e de todos”. O “Peba”, que surgiu na década de trinta, tendo como fundador Anésio Leão, voltou a ser reeditado em l943 e indo até 1949, tendo em sua direção Tomaz da Cantuária Nóbrega. Já “O YôYô” intitulava-se “Jorná do dotô Nerso Canforado e Mestre Ennezo”. “O Reco-Reco”, marcado pelo seu distintivo: Jornal de Graça por 300 réis, geralmente omitia os autores das matérias. “O Espião” editado na Tipografia São José, foi fundado por Euclides Gomes de Brito e circulou de 1941 a 1943. “O Torpedo”, de 1942, caracterizou-se pelas sátiras de costumes, as críticas e as ironias, tendo como colaboradores José Soares e José Bonifácio. O Divulgador da Festa de 1945 foi o Jornal “Bomba Atômica”, marcado pelas agressões e zombarias. “O Fantasma”, de 1946, ficou marcado pela seguinte homenagem à Virgem Santa: “Sobre a terra o teu olhar/ de imaculável beleza/ é um astro a desmanchar/ o negro véu de tristeza. A cobertura de 1948 foi feita pelo “Retardado”, com sua coluna ramalhete homenageando as senhoritas da época. No mesmo ano circulou “O Arauto”, fundado por alunas do Colégio Cristo Rei. Em 1949 foi a vez do “Careca” que tinha como diretor T. Leite e o Jornal “A Chaleira”, dirigido por Euclides Gomes de Brito, Maria das Neves Soares e Francisco Soares de Sá. A maior movimentação ficava por conta da briga pela concorrência entre os dois jornais. Em 1951 Clóvis Sátyro Xavier inaugurava o Jornal “A Tesoura” publicando de início o resultado das eleições de 12 de agosto e explorando o aspecto romântico. “O Alicate”, que se denominava o órgão de divulgação da Padroeira circulou de 1955 a 1957, mas havia sido criado em 1948, pelo Dr. Chico Soares e os professores: Antônio do Vale e Euclides de Brito, caracterizando-se pela agressividade. Criado em 1969 e reeditado em 1979 “O Tubarão”, foi marcado pelas críticas nominais as lideranças locais. Na Década de 70 circularam algumas publicações mimeografadas por estudantes, a exemplo do “Ficha Fraca”, que enfocou principalmente a história de Patos. Na década de oitenta mais uma vez foi registrado o desaparecimento desses meios de comunicação, voltando à tona publicações como o Alicate, reeditado inicialmente por Teresa Marinho e Damião Lucena, o qual foi seqüenciado até 2002, trazendo pontos pitorescos, homenagens e registros históricos sobre o acontecimento.

Acompanhando a evolução dos tempos, a Festa de Nossa Senhora da Guia, ou Festa de Setembro, continua sendo o principal evento do calendário anual da cidade de Patos. Sua programação se desenvolve durante dez dias, de 14 a 24, com opções diversificadas. A parte religiosa é iniciada com uma carreata em homenagem a Padroeira e a São Cristóvão, percorrendo todas as paróquias e culminando na Igreja Catedral, onde acontece o hasteamento da Bandeira. Durante nove noites os fiéis participam da celebração a partir das 19:00 horas. O Pavilhão Central, com bebidas, comidas típicas, leilões, bingos e música ao vivo, começa a funcionar sempre a partir das 20:30 horas, ou seja, logo após a novena. Nas principais ruas da cidade muitas são as opções de lazer (parques de diversões, estabelecimentos que comercializam souvenir, bijuterias, brinquedos, alimentação; apresentações artísticas, curiosidades, bebidas, etc). Outros eventos de clube também marcam o período da mais tradicional festa da cidade de Patos.

Para saber mais sobre a história de Patos adquira a II edição de Patos em Revista. Na publicação da 2ª Edição, “Patos em revista” vem com 260 páginas, informações e estatísticas sobre todos os setores da Capital do Sertão da Paraíba, ilustrada com mais de 1.200 fotos, fazendo uma viagem desde o início do século XVII até os dias atuais.

Adquira a revista na Banca Cultura, Banca Catedral e Distribuidora Nóbrega em Patos, ou pelo e-mail damiaolucena@gmail.com

O MaisPatos.com estará postando durante os fins de semana “Fatos e Fotos” que resgatam a história e a cultura do povo patoense.

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